Dal mio balcone – crônicas de uma quarentena
A segunda semana
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Cada um de nós, alguma vez na vida, já se imaginou em uma situação de pandemia. Depois de ver diversos filmes sobre cenários apocalípticos, a gente pensa que está pronto para tudo, mas quando a realidade bate na nossa porta, não é bem assim. A gente tem a tendência a negar as evidências e, mesmo que já tenha acontecido e esteja acontecendo em diversos países do mundo, pensamos que não vai chegar até nós. Mas chega.
E assim me vejo na segunda semana de algo surreal, me vejo entrando para os livros de história, às vezes acordo e penso que tudo não passou de um sonho ruim, e não digo em sentido figurado, realmente a gente perde um pouco o senso da realidade, já não sei bem em que dia da semana estamos e olho a previsão do tempo somente por costume, afinal, não importa se lá fora chove ou faz sol, tenho que ficar em casa.

Começo a sentir falta de organizar as minhas viagens e, ao mesmo tempo, agradeço por todos os lugares que pude conhecer. As árvores continuam a florescer e os pássaros fazem seus ninhos. A primavera chegou aqui no Velho Continente.
A música às 18 horas também continua, mas muita gente já não sai mais para a sacada. Eu continuo positiva, continuo trabalhando de casa, fazendo receitas novas, comendo os deliciosos pratos que prepara meu marido e malhando na nossa pequena academia.
Conheço muitos aniversariantes em março, então iniciaram as comemorações virtuais. As pessoas começam a julgar quem sai um pouco de casa para esticar as pernas (segundo o decreto é permitido fazer esporte, mas sozinho, ficando a um metro de distância dos demais e perto de casa), já eu não consigo julgar, continuo me vendo como uma privilegiada e pensando em quem mora em apartamentos pequenos, quem não tem uma boa situação familiar, em quem sofre com violência doméstica, em quem já tinha algum problema psicológico antes desta quarentena, em quem mora sozinho.
Não consigo nem julgar quem julga, afinal, os números de contagiados e mortos é alto e as pessoas estão com medo.
No sábado à noite o Primeiro Ministro italiano, Giuseppe Conte, depois de um acordo com os sindicatos, decretou o fechamento das fábricas que não produzem bens de primeira necessidade e ordenou que todos os escritórios façam com que os seus funcionários trabalhem de casa. O governo já tem preparado um plano para auxiliar as famílias, pequenas empresa, profissionais liberais a se reerguerem depois da quarentena.
Vi alguns memes que diziam que, pela primeira vez, podemos salvar o mundo estando em casa no sofá, assistindo televisão: é a mais pura verdade.
Não é algo fácil, mas com um pouco de esforço, e se cada um fizer a sua parte, a gente vai conseguir derrotar esse inimigo invisível. Ontem, tivemos a boa notícia que os contágios e mortes começaram a diminuir.
As bandeiras continuam tremulando, consigo ver dal mio balcone. Dal mio balcone, consigo ver a luz no fim do túnel.
Texto escrito por Roberta Freitas Jesien, da Matrimoning e nossa super parceira! Vive em Roma há 10 anos!



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