As delícias da cozinha regional do Alentejo em Campo Maior

Atualizado por Rogério Milani em 11/03/2017


Tenho uma preferência pelo interior, por cidades pequenas, pelo sossego e por um dia a dia sem muito agito, onde o tempo parece passar mais devagar. E esta preferência também vale para as viagens, onde costumo dosar o tempo entre uma grande cidade ou capital com uma vilazinha, uma cidadezinha charmosa do interior, um passeio explorando diversas cidades de uma única região como a Toscana, a Provence.

E este era o plano para Portugal e Espanha. Depois de oito dias entre o Porto e Lisboa, alugamos um carro e fomos dar um “pulinho” até a Andaluzia. A viagem de Lisboa até Sevilha, primeira parada, direto, levaria cerca de 4 horas. Ao invés de fazer o caminho mais curto, passando pelo Algarve, deixamos este trajeto para a volta e resolvemos fazer o caminho pelo Alentejo, marcando uma parada estratégica bem no meio do caminho, em Campo Maior, uma vila que pertence ao distrito de Portalegre, bem na fronteira com a Extremadura (Espanha), para conhecer a vinícola Adega Mayor, projeto do grande arquiteto português Álvaro Siza Vieira.

Era um domingo nublado e frio, com previsão de pancadas de chuva para os lados da Espanha – um típico domingo de inverno em pleno mês de maio – e saímos do apartamento em que estávamos em Lisboa às 9h da manhã e fomos direto na locadora pegar o carro. Uma rápida paradinha para um café da manhã e às 10h30 da manhã já estávamos na estrada.

As estradas de Portugal, para quem não sabe, são ótimas, muito bem sinalizadas e com pouco movimento. E também são pedagiadas eletronicamente, através do sistema Via Verde, tema de um próximo post. O trajeto entre Lisboa e Campo Maior, com algumas paradas para curtir as lindíssimas paisagens do Alentejo, oliveiras, parrerais, foi cumprido em 2 horas e meia

A pequeníssima e bonitinha vila de Campo Maior – não é considerada uma cidade pois tem menos de 10.000 habitantes, apesar de ser auto-suficiente – estava vazia, todos almoçando ou curtindo a sesta pós almoço. Demos uma rápida volta para conferir o local e então seguimos para a Adega Mayor, uns 8 km do centro.

Eu não tinha reservado visita e nem tínhamos intenção de fazer degustação, já que o objetivo maior era apenas dar uma “espiada” no projeto do Álvaro Siza, ideia esta que surgira no dia anterior, planejando o trajeto até Sevilha e, pelo que tinha pesquisado na internet, a vinícola só abria aos domingos para grupos previamente agendados.

Cozinha regional do Alentejo

Buenas, tiramos a sorte grande, muito grande! Um grupo estava terminando de fazer uma degustação e a recepcionista informou que haveria outro grupo para o final da tarde e se quiséssemos poderíamos participar. Perfeito, pode botar nossos nomes aí que depois estaremos por aqui! E antes de sair solicitamos a ela uma indicação de um restaurante na cidade, que servisse pratos da culinária alentejana, claro! Então ela nos indicou o familiar Restaurante Primavera.


Voltamos para o centro de Campo Maior, estacionamos quase em frente ao Primavera e ao entrarmos nos deparamos com um ambiente bem simples, como uma tradicional tasca, uma televisão ligada em altíssimo volume e transmitindo um programa de auditório, com três ou quatro mesas ocupadas, na sua maioria por pessoas falando em espanhol.

Sentamos e de imediato a simpática dona Maria da Fátima nos atendeu, oferecendo o menu e explicando os pratos, além de nos mostrar que quem pilotava na cozinha era o seu marido. Resolvemos seguir todas as dicas dela e optamos pelo menu que estava sendo oferecido no dia. E, para acompanhar, um vinho local, o ótimo Caiado Tinto da Adega Mayor.

Já na entrada fomos fisgados pela simplicidade e explosão de sabores da culinária alentejana: azeitonas in natura, frescas, temperadas na hora por Maria. Espetacular, não tem comparação nenhuma com o que compramos no Brasil, as em conserva…
Depois foi a vez das famosas favas alentejanas, também fresquinhas, recém colhidas. A cada garfada era aquele hum, hãm, nooossa e assim foi. Quando terminamos Maria nos perguntou, meio que afirmando: “É muito bom, né?!“. E deu aquela olhadinha para a cozinha… Muito bom, dissemos todos nós em uníssono, também lançando olhares e agradecimentos para o cozinheiro!

Aí chegou a hora do prato principal, o ensopado de borrego, servido com batatas. Borrego, para quem não sabe, é o mesmo que cordeiro, uma ovelha bem novinha. Outra explosão de sabores, cebolas, alhos, ervas, vinho, divino! Nos lambuzamos! E lá veio a Maria afirmando outra vez: “É uma delícia, não?! É especialidade do meu marido!”. Aprovadíssimo, dissemos nós!
Neste momento alguns espanhóis levantam-se, agradecem à Maria e seu marido e vão embora. Ela, então, comenta conosco: “Eles, os espanhóis, vêm direto comer aqui, pois do lado de lá a comida não é tão boa como a nossa!”. Rimos muito e nos servimos mais um pouco do Caiado, enquanto aguardávamos a sobremesa.

E em seguida veio ela para o gran finale: algo como a mistura de pudim de ovos com pão de ló coberto com ameixas em calda! Cara, indescritível! Algo tão simples, mas tão saboroso!

Foi um almoço perfeito para um domingo preguiçoso no Alentejo! É incrível como pessoas como Maria da Fátima e seu marido fazem estes momentos serem mais especiais ainda, né?!
E na hora de pagar, a bagatela de 10 euros por pessoa, incluindo o vinho… Pode?
E então, muitos satisfeitos e felizes, claro, rumamos novamente para a Adega Mayor para a degustação e conhecer o interior da vinícola projetada por Álvaro Siza, que você pode conferir nas fotos abaixo.

Restaurante Primavera
Comida Regional Alentejana
Rua 1º de Maio, 10-A
7370-027 – Campo Maior – Alentejo – Portugal
Fone: + 351 268 689 285

Adega Campo Mayor
Herdade das Argamassas, 7370-171
Campo Maior, Portugal
Fone: +351 268 699 440

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